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segunda-feira, 10 de março de 2014

Angela, 'tava te devendo essa
Nem sei se eu deveria mesmo estar escrevendo isso, pois não pretendo endossar o cordão dos puxasaco globais, e muito antes pelo contrário dos que são contra tudo e todos.
Mas ando de saco tão cheio com a papa que foi feita das cabeças nesse Brasil, especialmente quanto às questões relativas às mulheres, que não posso perder a oportunidade, já que o analfabetismo crônico patropiense pelo menos em algum grau assimila alguma coisa quando se trata de bbb.
Voltemos, ou voltemo-nos (se não for exigir demais dos vossos neurônios), às mulheres. Precisamente à Angela.
Pois desde que vocês-sabem-quem entrou na bagaça, acabei entendendo esse jogo como um poker humano, e me amarrei, de certa forma. Menos no imediatamente subsequente, pois já havia tomado um fartão. Como diria a minha mãe.
Mas, por ter me metido a escrever o homônimo deste blog em livro, e de ter sido obrigada a fazer alguma (não muita, que haja...) pesquisa sobre o programa, vi que nunca havia entrado, naquela casa, alguém que tão bem representa o que eu acho que as mulheres desse Brasil, ainda varonil, deveriam ser.
Talvez por não estarem acostumadas a verem ali, e muito menos nas suas casas, mulheres não putas, as pessoas não estão sabendo como classificar tal senhorita.
E aí, surgem aquelas pérolas: arrogante, tem olhos do mal, e não sei quantas bobagens.
A Angela simplesmente tem classe, opinião, não se vende, não vai com qualquer um, não aceita ser manipulada, não fica de bunda de fora pra lá e pra cá, não fala com aquela vozinha de putinha da Letícia - que dava nos nervos, aliás, que nem a Renatinha - porque putinhas falam assim a meia voz, como se não quisessem dizer o que estão dizendo, porque querem ser sempre menininhas?... - e declarou em alto e bom som pro Marcelo: traição pra mim é igual, seja de homem ou de mulher, não aceito.
Falou merda? Sim! Quando esboçou um pensamento alto: "acho que sempre fui mulher de malandro". Sim, meu bem. Mulheres no controle podem até se dar ao luxo de entrar numas escaramuças (das buenas) com caras que têm pegada, sem medo de serem felizes. Porque elas sabem que aquilo vai durar enquanto e como elas quiserem.
Mas é guria ainda e não sabe o que pode e não pode dizer. Porém... sinceridade? Prefiro assim. Aliás, faço parte dessa tribo. Que prefere arriscar a dizer o que pensa do que se arrepender de morrer calada.
O que eu mais adorei foi um dia em que ela estava com aqueles vestidinhos curtos (tá, eu disse que é guria ainda, faz umas concessões que nem se dá conta, mas um dia vai se ligar), e de conversa com Marcelo sentada no sofá, pegou uma almofada e a colocou em cima de suas pernas pra cobrir qualquer inconveniência. Um negócio simples, que tenho certeza passou totalmente despercebido para a maioria, mas que deu pra ver que ali tinha uma lady.
E é disso que esse Brasil Maria-da-Penha, que trata as mulheres como retardadas mentais, e a maioria se trata, e isso é que é pior, não está acostumado.
Aqui, de cima abaixo e de baixo pra cima, o que vale é a demagogia. As mulheres choram e parece que descobriram que isto é a coisa mais maravilhosa que poderiam fazer, e que até ficam lindas chorando, como bebezinhos abandonados em latões. Penso naquele menino todo ralado de bombas, de sarim, de horrores na Síria, que antes de morrer disse que ia contar tudo pro Papai do Céu, quando o encontrasse.
A rejeição que a Angela está sofrendo, se é que o Brasil tá cego mesmo, ou pelo menos o Brasil que assiste ao bbb, mostra exatamente como o país não está preparado para uma verdadeira ascensão das mulheres.
Que ainda não se cansaram de serem qualificadas como "meninas" ou "senhoras". Ou seja, enquanto 'tá no ponto para a procriação, enquanto serve pro abate, beleza, depois parece que vira "a mãe", aquela para a qual a vida passou (mesmo que tenha quarenta anos, ou até trinta) e que deve, qual Carolina na janela, apenas assistir a vida dos filhos. Claro que isto se passa com os pais, os homens, também.
O Brasil é tão atrasado e sem oportunidades que mal a pessoa chega no auge da vida (que pode ser aos 40), e já deve ceder lugar a quem está chegando.
Que país desenvolvido tem tal pífia compreensão da existência?
A Angela assusta porque se garante. Até cheguei a pensar que seria melhor pra ela não ganhar e seguir a sua vida como a excelente advogada que vai ser. A Angela é mulher no controle. Não como as já citadas, muito menos como a Fran, essa sim, mulher de malandro. Sem cérebro, sem noção, vivendo na sombra, aceitando pedrada numa puta falta de auto estima.
E obviamente o malandro, no caso, é o preferido das reaças, das velhotas moralistas de plantão, dos maduros chatérrimos, como um que escreveu num site que "só falta agora as mães posarem pra revista". Lembrei do ingles Mulheres do Calendário, ia ser bacana.
O Brasil tem medo do novo, da mudança. Fica requentando a velha moral, seja ao vivo, seja no bbb, e em casa bem quietinhos, brasileiros com medo de sair pras festas, pras manifestações, pra vida. Não percebendo que o pior que pode nos acontecer é passar pela vida sem tê-la vivido, morrendo de tédio, tomando anti-depressivo, culpados, inoperantes, obsoletamente inúteis.
A Angela, guardadas as devidas proporções, é o Dourado de saias, podem crer. Porque se fosse minha filha, seria exatamente assim. Talvez um pouqinho mais exibida, mais bailarina, e trilhões de vezes mais polêmica, tá... Mas sem arredar pé, fosse pelo dinheiro, fama, qualquer coisa, de seu rumo. Os tempos são outros, o bbb é outro.
Mas parece que o Brasil continua o mesmo.
Ou não.

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